Pesquisa obras ''não-objetos"
Alexander Calder
Alexander Calder foi um artista e escultor norte-americano. Cresceu em contato com a arte, pois era filho e neto de escultores, mas também estudou engenharia mecânica antes de se dedicar às artes plásticas, o que influenciou muito suas obras.
Calder é considerado o criador dos móbiles, esculturas suspensas que se movimentam com o vento. Suas obras são equilibradas e fazem com que o movimento seja percebido até mesmo por uma pessoa andando ao redor delas, tornando-o orgânico e imprevisível. Além dos móbiles, produziu os estábiles, esculturas fixas que, mesmo sem se mover, transmitem sensação de leveza e energia em movimento.
Os móbiles de Alexander Calder se relacionam com o conceito de “não-objeto” de Ferreira Gullar porque ambos rompem com a ideia da obra de arte como algo estático e apenas material. Os móbiles estão sempre em movimento, mudando de forma conforme o vento e o espaço, e só se completam na interação com o olhar do público. Da mesma forma, o não-objeto não é um objeto tradicional, mas uma experiência sensível que existe na relação entre obra, espaço e espectador. Assim, tanto Calder quanto Gullar transformam a arte em experiência, e não apenas em contemplação.
Minha obra favorita do artista é a "Alçapão de Lagosta e Cauda de Peixe", por além de introduzir a união entre arte e engenharia pelo aspecto cinético, também apresenta inspiração de animais marinhos, com o seu dinamismo representando os movimentos dos animais
O crítico Ferreira Gullar, no texto Teoria do Não-Objeto, de 1959, define o “não-objeto” como uma obra que não deve ser entendida como coisa ou objeto isolado, mas como uma experiência vivida pelo espectador. Ele rompe com a arte tradicional, propondo que a obra só existe plenamente no ato da interação, da percepção e do envolvimento sensorial.
Esse conceito aparece de forma muito clara nas obras de Hélio Oiticica, como os Parangolés e os Penetráveis. Nos Parangolés, por exemplo, a obra não é apenas um tecido colorido: ela só acontece quando alguém veste, dança e se movimenta com ele. Já nos Penetráveis, o público entra em ambientes criados pelo artista, vivendo cores, sons e texturas.
Assim, podemos dizer que o texto de Gullar fornece a fundamentação teórica do não-objeto, enquanto Oiticica transforma essa ideia em experiência prática, em que a obra deixa de ser objeto estático e passa a ser vivência corporal, sensorial e coletiva.


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